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Sou dependente do transporte público no dia-a-dia. Ônibus e metrô fazem parte da minha rotina em São Paulo, afinal, moro na zona norte, trabalho na zona leste e estudo na zona sul. Graças ao metrô, consigo cruzar a cidade em pouco tempo, por isso o considero uma das melhores invenções das últimas décadas.

Por outro lado, quem usa esse transporte em São Paulo sabe A confusão que é, principalmente em horários de pico, nos quais você se sente um boi, ao ser arrastado pela multidão (que mais parece uma manada enfurecida).

Em meio a essa loucura toda, uma noite, voltando da faculdade, eu subia as escadas do metrô quando me deparei com alguns escritos em letra branca, numa parede. Era um poema! Aquilo quebrou minha rotina, achei interessante e resolvi ler. Mas, devido ao empurra-empurra e fluxo intenso de pessoas ao meu redor, era impossível parar e eu consegui ler apenas uma linha. Dizia assim: “Eu não sou eu nem sou o outro.”

Interessante. Decorei a frase e fiquei entretida com ela durante bom tempo. Pensava: “Caramba, se não sou eu e nem o outro, quem sou eu então?”. No dia seguinte, aguardei ansiosamente a volta pra casa pra saber quem era “eu”. Consegui ler mais uma linha: “Sou qualquer coisa de intermédio”. E assim fui, memorizando uma linha por dia, até completar o poema. Era do Mário de Sá Carneiro (não sei o título. Pesquisei e encontrei tanto como “Poema 7” como “O Outro”):

Ler um poema no metrô, durante a correria da rotina, me desligou do stress. Parei de pensar nos problemas, nos pepinos a resolver, no cansaço, pra tentar interpretar essas linhas tão enigmáticas. Quem seria o “outro” no poema? Além disso, passei a conhecer mais sobre Mário de Sá Carneiro e ainda descobri que esse poema foi transformado em música, pela Adriana Calcanhoto (caso tenham oportunidade, ouçam “O Outro”).

Em meu trajeto diário, os poemas continuam a me perseguir. Na estação em que desço pra ir ao trabalho, há outro deles. “O Morcego”, de Augusto dos Anjos:

Esse eu consegui ler com mais calma, já que está exposto em um lugar mais amplo. Depois de um tempo, descobri que estes poemas são parte do projeto "Poesia no Metrô" (iniciado em São Paulo em outubro de 2009), cujo objetivo é estimular o gosto pela leitura. Parabéns aos idealizadores do projeto. Graças a ele fui tirada do automatismo da rotina e levada a outros mundos que não este. Por istantes consegui um fugere urbem em meio ao caos.

Confesso que até pra tirar foto dos poemas foi difícil, devido aos pedidos de "Dá licença!" e pessoas por todos os lados querendo passar. Isso porque não repararam na parede ao lado. Se tivessem reparado, teriam também parado. E como precisamos dessa pausa, desse refúgio que só a literatura nos porporciona! Não só a literatura, mas a cultura em geral. Que precisa ser incentivada através de ações como esta.

O cotidiano é texto corrido, feito em prosa, mas precisamos dos pequenos momentos que são poesia. São eles que dão rima à nossa vida. Afinal, a melhor coisa é encontar Mário de Sá Carneiro, Augusto dos Anjos e outros grandes poetas enquanto anda pela cidade.

Durante séculos ela acompanhou a destruição de seus componentes: florestas foram derrubadas, ar e rios foram poluídos e inúmeras espécies de vida entraram em extinção. Em silêncio, ela observou o homem fabricar máquinas e tornar-se o detentor do poder, aniquilando tudo o que considerasse obstáculo para seu desenvolvimento. Ela tinha esperanças de que o ser humano, única espécie dotada de racionalidade, tomasse consciência do que estava fazendo e parasse com essa atitude predadora. Mas, pelo contrário, ele acelerou o ritmo de destruição sem prever as conseqüências, frustrando todas as expectativas dela.

Então, como fazer com que o ser humano percebesse o seu erro e evitasse o pior? Ela não encontrou outra forma, a não ser reagir. Terremotos devastadores, tsunamis catastróficos, temporais tenebrosos, deslizamentos de terra fatais, queimadas sem controle nas florestas, calor, calor, calor insuportável. Deu certo. O homem despertou de seu sono secular e só então compreendeu que a vida dela sempre esteve e continua em suas mãos. Mas, como se o alarme do despertador houvesse sido ignorado pela manhã, quando ele acordou já era tarde. Abriu os olhos e viu no termômetro que a temperatura estava maior do que o normal. Levantou-se da cama, ligou a TV no noticiário e descobriu que 150 espécies são extintas a cada dia, a camada de ozônio está em processo de destruição e não há meio de prever onde isso vai parar. Mensagem decifrada: ela está em fúria. E não há como fazê-la voltar ao que era antes. Mas ainda há um modo de tentar acalmá-la, antes que seja tarde. Ela, a natureza. Ela, a Terra.

Vingativa? Talvez. Mas a verdade é que o homem caiu em sua própria armadilha. Tornou o mundo um ambiente hostil para ele mesmo viver. Fez de tudo para aniquilar outras espécies e, regido pela lei da ação e reação, acabou por aniquilar a sua.

Não ouviu os conselhos. “Pare de desmatar!”, diziam uns. “Pare de matar!”, diziam outros. “Não polua tanto!”, reclamavam muitos. Entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Então, ele continuou vivendo, enquanto tudo ao seu redor ia morrendo. Até que um dia começou a sentir os efeitos na própria pele. Assustou-se muito e começou a correr. Mas demorou pra sair da linha de largada e suava demais por causa do Sol, que estava mais intenso do que o normal. Correu mais, e chegou a uma local onde estavam reunidos representantes de diversos países em uma conferência sobre o clima. Discutiram tudo, menos o que deveriam. E saíram de lá na mesma.

Agora, desesperado, o homem tenta reverter a situação, tendo consciência de que pode apenas amenizá-la. Arrependido, abaixa a cabeça e nota que há um buraco em seu sapato: finalmente descobriu que deu um tiro no próprio pé. E a Terra está quase caindo por terra.

"A natureza é a única coisa para a qual não há substituto." (Anne Frank)

Tenho uma queda por coisas exóticas. Tudo aquilo que é diferente e (na maioria das vezes) estranho me chama a atenção. Há pouco tempo, logo que voltei a trabalhar, fui em busca de um lugar legal (e barato) pra almoçar. Encontrei um restaurante bacana, perto do serviço. Logo que entrei no local, me chamou a atenção uma lousa na parede, na qual havia uma variedade imeeensa de sucos pra escolher! Uns sabores absurdos, que nunca tinha ouvido falar. Me empolguei.

Comecei a almoçar lá e a pedir todos aqueles sucos bizarros pra experimentar, cada dia era um diferente. O balconista me olhava estranho quando eu pedia: "Me vê um suco de umbu!" - e logo em seguida o cara perguntava se algum dos funcionários já havia tomado aquele suco. Ninguém. Com certeza devo ter sido a primeira louca a tomar aquilo, lá no restaurante. Como disse o balconista depois que pedi o suco, "vai por sua conta e risco". E até que gostei.

Continuei a pedir outros, mais exóticos ainda, outros nem tanto. Até que cheguei no de pitanga. Não muito exótico, pelo menos eu conhecia a fruta. Mas, logo que virei o primeiro gole, me arrependi de ter pedido aquilo. O gosto era horrííível, azedo ao extremo e eu fui pedir açúcar pro garçom. Levei o açucareiro comigo pra mesa e dá-lhe açúcar no suco! Desilusão, o gosto continuava péssimo e só piorou com o açúcar. Desisti de tomar. Larguei o suco na mesa e fui embora. No dia seguinte, a garçonete do restaurante me perguntou, ironicamente: “E aí, vai um suco de pitanga hoje?”. Virei motivo de piada.

A partir daí, sosseguei o facho e voltei a tomar sucos "normais". Abacaxi, limão, uva, essas coisas. Percebi que o exótico torna-se uma grande armadilha quando você não o conhece: te atrai pela aparência, por ser novidade e só depois mostra sua característica marcante (seja ela boa ou ruim). Quando ruim, você sai no prejuízo de alguma forma: gasta dinheiro à toa, se arrepende, passa vergonha... Porque o exótico não permite meio-termo: ou você gosta muito dele, ou odeia. Sem falar que é muito mais difícil de encontrar e há poucos exemplares disponíveis. Enfim.

Apesar do suco, continuo gostando de coisas exóticas. São imperfeitas, marcantes e agradam a poucos. Porém, é sempre bom lembrar que existem outras opções no cardápio.

(na foto: o intragável suco de pitanga)

O vestido

Era noite de festa. O vestido que ela usava era azul-escuro como o início da noite, e muito mais profundo que o azul-claro dos olhos do homem que dançava despreocupado em outro canto do salão. Cheio de camadas e pesado. O vestido, não o homem. E chegava a ser um problema, porque ninguém, naquele salão, estava com um vestido daquele estilo. Ninguém. Todos usavam roupas mais leves e confortáveis, enquanto ela se sentia presa em sua armadura azul, da qual não podia sair. Chamava demais a atenção dos convidados, e todos a olhavam e perguntavam: “você vai dançar a valsa?” Sim, ela pensou. Mas não haveria valsa, e isso ela descobriu só depois que entrou no salão. Levou um choque. Todos dançavam outra música, o que aquele vestido imenso tornaria difícil. Talvez ela mesma não quisesse dançar a mesma música que os outros, cansou-se disso.

Então sentou para esperar o homem dos olhos azuis, que não veio. Apareceu outro, um desconhecido que sentou ao seu lado e a convidou para dançar um estilo de música diferente. Mas ela fingiu não ouvir. Estava preocupada demais em não se tornar o foco dos olhares, o que já havia acontecido. E tudo por estar usando aquele vestido azul. Aquele com os detalhes em prata, que ela escolheu cuidadosamente na loja pra dançar a valsa. Que valsa? A que ela havia dançado tantas vezes em seus sonhos, de certo. Mas aquilo que ela vivia agora era um pesadelo. Sentia-se deslocada, no lugar certo com o traje errado. E tudo o que queria era apenas que alguém dançasse a mesma música que ela.

Se é verdade que quase enlouqueci nesse fim de ano, com os trabalhos da faculdade, é também verdade que eles me adicionaram muito em conhecimento. Não me refiro apenas àquele conhecimento necessário pra conseguir nota e passar de ano, não. Muito mais do que isso: conhecimento que abre a sua cabeça e amplia a sua visão de mundo. E é desse que eu mais gosto.

Tive a oportunidade de ler diversos livros, entre eles, dois que me marcaram muito. Um, foi Hiroshima, de John Hersey, um clássico do jornalismo literário. O livro conta a história de seis sobreviventes da bomba de Hiroshima e tudo o que viveram logo após a explosão e também quarenta anos depois. É um livro muito comovente, não leia se não tiver o estômago forte. Todo mundo sabe o que foi a bomba de Hiroshima e suas conseqüências, mas ninguém tem a noção exata da intensidade do sofrimento das vítimas. As poucas que sobreviveram, não ficaram ilesas: sofreram até o fim de seus dias com efeitos causados pela radiação atômica, os quais continuam presentes nos genes dos filhos e netos dessas pessoas, causando deformações e graves problemas de saúde. Sem falar no trauma e nas condições desumanas que passaram. A vida delas foi alterada drasticamente para sempre.

Outro livro que li foi Anne Frank – Uma Biografia, da jornalista Melissa Müller. Não é o diário de Anne, esse eu já havia lido no ano passado. Me refiro à biografia mesmo, que fala sobre a infância de Anne, sua família e o tempo que ela passou no campo de concentração, ou seja, muita coisa além do diário. Sou fã de Anne, mesmo. Ela, com seus 14 anos de idade, tinha mais maturidade e inteligência do que muito adulto por aí, principalmente aqueles que tiraram sua vida (os nazistas). Acredito que a situação em que ela viveu contribuiu para que amadurecesse mais cedo. Mas me revolta seriamente saber que todos os seus sonhos e objetivos de vida foram mortos, juntamente com ela, num maldito campo de concentração. E quantos milhões de sonhos também não foram destruídos pela bomba de Hiroshima?

Os dois livros mostram o mesmo questionamento: como foi possível tantas pessoas serem coniventes com estes atos desumanos? Como o nazismo e o lançamento de bombas atômicas puderam ser realizados com sucesso? Todos sabiam que era um erro, que era assassinato, e mesmo assim os responsáveis não foram denunciados e muito menos impedidos de cometerem tais atrocidades. Simplesmente continuaram, e aqueles que assistiam a tudo isso se conformaram, sem nada fazer. Seria medo? Indiferença?

Boa parte da humanidade foi destruída pelos interesses insanos de poucos. E assim continua até hoje. O racismo, o sentimento de superioridade e o poder sobem à cabeça de uma minoria e são despejados em uma maioria inocente. Meus filhos, se vocês têm problemas na cabeça, vão se tratar e não descontem pra cima da humanidade, ok? Seres humanos não são cobaias e vidas não são descartáveis.

Ler estes livros me fez perceber que a guerra (seja ela qual for) não é apenas um problema gerado pelo contexto histórico e sócioeconômico. Acima de tudo, é um problema psicológico. Que persiste.

Caso tenham oportunidade, leiam. Hiroshima, Anne Frank – Uma Biografia e O Diário de Anne Frank são denúncias de uma realidade que muitos quiseram esconder – por ser insana.


“A história não se repete, disse Voltaire, mas o homem faz isso. O homem, com toda inteligência, é fraco e destruidor, e se deixa levar até perder seus ideais de vista. Então, ele começa – como se não fosse capaz de aprender – de novo. Não devemos deixar de ter esperança na capacidade de aprender do homem” (trecho extraído do livro “Anne Frank – Uma Biografia”, de Melissa Müller).

Todas as manhãs, no trajeto pro trabalho, vejo essa árvore da foto. Que me chamou a atenção por um motivo especial: a cobertura de flores que a reveste. Tão densa, que me lembrou claramente um molho de tomate. Juro que havia tomado café da manhã e não estava com fome no dia em que reparei nela, mas ao bater o olho a primeira coisa que me veio à mente foi isso. Achei diferente, bonito, interessante. Contrasta com o resto da paisagem de concreto, monocromático. Talvez porque seja a única coisa que tem vida ali.

Pois bem. Todas as manhãs eu passava e olhava pra árvore, até que um dia parei e tirei foto. Fiz bem. Dias depois, a cidade de São Paulo foi atingida por intensas tempestades e ventos furiosos. A correria da rotina me desviou a atenção da árvore e, algum tempo depois, quando lembrei de olhá-la, me assustei ao vê-la toda verde, sem as flores vermelhas e radiantes de antes. O que aconteceu? O vento arrancou, a chuva levou. Não sobrou uma pétala pra contar história. Senti dó e fiquei triste, como se tivesse perdido alguma coisa. Mas quem perdeu foi a árvore. Perdeu a graça. E transformou-se em uma árvore comum, como as outras. Tanto que, depois disso eu não lembrei mais de olhar pra ela quando passava pelo local. Não havia mais aquele encanto de antes, a diversão de olhar e pensar: "nossa, parece que derramaram molho de tomate em cima da árvore!" Acabou a graça. E, pelo fato de não haver nada de diferente na paisagem, acabei me esquecendo da árvore. Ela continua lá, mas raramente reparo nela.

E aí eu percebi que certas coisas só têm charme devido aos detalhes. Se não fossem as flores, a árvore não me chamaria a atenção. E isso serve pra tudo. A gente admira certas pessoas devido a uma característica da personalidade, um modo de se vestir, um jeito de falar. Compra uma blusa porque acha legal a estampa dela. Gosta de uma música porque o arranjo instrumental é divino. Olha uma árvore porque as flores chamam a atenção. São os detalhes que fazem toda a diferença e dão beleza ao conjunto. Certas coisas não teriam graça sem um "molho de tomate" pra destacar. Não teriam gosto e nem beleza. O charme está nas minúcias, nas peculiaridades e diferenças de cada um.

Um mês se passou e as flores não nasceram novamente. A árvore deixou de ser única, como se tivesse perdido sua personalidade. Tudo porque igualou-se às outras.

Briguei com o tempo e não andamos mais juntos: eu ando, ele corre. Sinto falta de escrever aqui e visitar os blogs que gosto, sair, ver filmes, etc, mas enquanto não finalizar os 132647 trabalhos da facul, não dá.

Tá, isso foi um desabafo. Na verdade vim falar de outra coisa: semana retrasada ocorreu um apagão que eu presenciei ao vivo e a cores (bem escuras por sinal). Poderia estar em casa na hora, só tive a primeira aula naquele dia e em vez de ir embora, fiquei lá na Avenida Paulista, num barzinho, conversando com a Grazi e o Diego. Era umas dez e pouco da noite quando a luz começou a oscilar sem parar e eu achei aquilo muito bizarro! Até que apagou de vez. A princípio, pensei que fosse problema de gerador na rua, mas quando saímos dali vi TUDO apagado e havia um rebuliço de gente andando por todos os lados. Em meio à confusão, eu só conseguia ver a silhueta das pessoas que passavam por mim, seus rostos ocultos no breu. Os prédios da principal avenida de São Paulo, geralmente repletos de luzes que dão vida às ruas, dormiam agora em silêncio. As ruas estavam povoadas de gente e o trânsito sem semáforo tornou-se incrivelmente caótico. Fui pegar o metrô pra voltar pra casa, mas ele não funcionava. Tudo isso começou a me assustar, principalmente por não saber o que acontecia e em que proporções. Andando por ali, um garoto gritava: - É O FIM DO MUNDO! É O FIM DO MUNDOO! - não duvidei. Fiquei esperando que os alienígenas aparecessem e abduzissem todos. Não aconteceu. Então liguei pra casa pra saber o que ocorria e soube que era um blecaute de proporções extremas no país. Nessas horas a informação, mesmo assutadora, me acalmou um pouco. Quando você tem clareza sobre a situação em que está, consegue resolvê-la com mais racionalidade.

Mesmo assim, a paisagem noturna não deixava de me assombrar: só se via o contorno dos prédios e, além dos automóveis, a única fonte de luz provinha de uma decoração natalina que pendia de um prédio: as luzinhas coloridas permaneciam acesas de forma inexplicável em meio ao breu! (inclusive, nessa foto, dá pra notar isso).

Por muita sorte mesmo, uma amiga me encontrou no ponto de ônibus e ofereceu carona. Foi minha salvação!! Cruzando a cidade de carro, meus olhos se acostumaram com a escuridão geral. A lanterna dos carros nos guiava por ruas e túneis (e não havia luz no final deles).

Quando cheguei em casa e vi minha família à luz de velas, ouvindo rádio, me senti transportada ao período Paleolítico. Não havia nada, NADA pra fazer! Sem luz, internet, televisão. Pensei em fazer uns desenhos rupestres nas paredes da caverna, digo, aqui de casa, pra passar o tempo. Não, não seria uma boa idéia. Estava fora do contexto histórico. Então fiquei na janela observando a noite. Era a noite mais escura que já vi e também a mais silenciosa. E não havia o que fazer. Só então eu percebi O QUANTO estamos dependetes da tecnologia pra viver! Sem ela não fazemos absolutamente nada! Não nos conectamos com pessoas que estão longe, não trabalhamos, não nos divertimos. E o pior: só percebemos isso quando nos falta luz. Estamos cegos diante da dependência elétrica e no dia-a-dia vivemos como se a luz fosse oxigênio, sem perceber sua presença. E quando tudo escurece diante de nossa visão é que enxergamos a falta que faz. Nessas horas lembro de Clarice Lispector e sua frase: "É necessário certo grau de cegueira para poder enxergar determinadas coisas." Bem assim mesmo.

O homem das cavernas não sabia o que era o bom da vida, não podia relatar suas experiências de caça em um blog e muito menos conectar-se com outros Homo Sapiens via msn. Mas tinha uma vantagem em relação a nós: não sofria com apagões.



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