Alguns dizem que a vida é uma caixinha de surpresas. Eu concordo. E digo mais: a vida é uma caixinha de bombons. Dá pra enxergá-la como uma caixa de Bis, mas eu a vejo como uma caixa de bombons sortidos. Explico: quando te estendem uma caixa de Bis, são todos iguais, aí você pega qualquer um, sem pensar muito. E quando te oferecem uma caixa de bombons sortidos, qual escolher? Tem o Sonho de Valsa, o Sensação... E o Laka? Hmmmm... e agora? Eu fico séculos escolhendo, até pegar um que me agrade.
Nem sempre fui assim. Quando mais nova, a vida era uma caixa de Bis e eu simplesmente estendia a mão e pegava qualquer chocolate. Era tudo igual mesmo! Confesso que alguns me davam indigestão e não agradavam meu paladar. Com o passar dos anos, passei a ser mais seletiva. Até acho que a palavra “seletividade” vem de “seletiva idade”. O “qualquer um” e “qualquer coisa” não me satisfazem mais. Eu sei, às vezes não se tem escolha e quem muito escolhe, acaba sendo escolhido. O que nem sempre é ruim.
Mas eu vejo tudo como uma caixa de bombons sortidos. Não bebo mais qualquer coisa, nem beijo mais qualquer um, nem compro uma roupa só porque levei centenas ao provador e fiquei com vergonha de devolver. Não. Minhas amigas me dizem: “você escolhe demais!” – sim, escolho. Ninguém fará isso por mim. E eu gosto de pegar um atalho pra chegar mais cedo aonde quero.
Uns são mais exigentes, outros menos. Mas todos escolhem. Ou vai dizer que quando chega o cardápio no restaurante, você diz ao garçom: - Vê qualquer coisa aí! – Não né? A não ser que goste de viver perigosamente ou seja louco.
E o amor? Esse a gente não escolhe, acontece. Será? O coração também faz suas escolhas, mesmo que muitas vezes elas não façam o menor sentido.
Esses dias li uma reportagem da Super Interessante cujo título era: “não escolha demais, seu cérebro pode pifar”. Dizia que, quanto maior o número de opções, mais confusos ficamos pra nos decidir, provocando um tilt no cérebro. Tô ferrada!
Mas nem ligo. Prefiro ser essa peneira-ambulante, filtrando apenas o que me interessa. Livre-arbítrio é o que há! Hoje em dia quase não existe (exceto em alguns países e culturas) mais aquela história dos pais escolherem o marido das filhas ou a profissão dos filhos. E todo mundo é mais feliz assim. Inclusive eu, mesmo sendo absurdamente indecisa e tendo o dedo podre pra algumas coisas.
(Imagem retirada do Google)
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
domingo, 24 de outubro de 2010
Entre partidas e chegadas
Seguindo a brincadeira proposta pelo blog Rumo à Escrita, fui indicada pela Angela, do blog Entemeios, para dizer o que me deixa mais feliz entre partidas e chegadas. Então, vamos lá!
O que me faz realmente feliz, entre partidas e chegadas, é saber que há um percurso no meio. Desconhecido no começo e nem sempre fácil. Mas com muitas surpresas, pessoas por conhecer e situações que te fazem conhecer a si mesmo. Num relacionamento amoroso, a melhor parte é a paquera, a conquista. Vai dizer que não? Porque antes a gente não tem a pessoa e depois que tem, se acomoda. Ao ler, o melhor é se envolver na história, sem se preocupar com o final. Numa longa viagem, o mais interessante é poder admiriar a paisagem do trajeto. Na própria vida, independetemente de quando você chegou ao mundo ou quando partiu, se acordou de bom humor ou se foi dormir bem, o que vale é o que viveu entre estes dois momentos. E se soube vivê-los intensamente. Sendo assim, pra que tanta pressa? Se a beleza está no percurso?
Como diria Guimarães Rosa,
o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia.
Agora, vamos às regras do selo:
1- Copie e cole o selinho na sua postagem.
2- Conte-nos o que lhe faz feliz, entre partidas e chegadas, simples assim!
3- Conte quem lhe presenteou, se possível adicionando o link para o blog.
4- Indique ao menos 5 blogs para receberem o carinho e avise-os, para que eles possam continuar a brincadeira. Podem ser mais, claro, o importante é provocar a ideia naqueles que lhe visitam!
5- Volte aqui e avise se já está participando, nesse mesmo post.
Meus indicados:
Love in Chains
Fotos, Poesias e Emoções
Diário de um Mininu Nu
Entre um Café e um Bate-Papo
Garota Interrompida
O que me faz realmente feliz, entre partidas e chegadas, é saber que há um percurso no meio. Desconhecido no começo e nem sempre fácil. Mas com muitas surpresas, pessoas por conhecer e situações que te fazem conhecer a si mesmo. Num relacionamento amoroso, a melhor parte é a paquera, a conquista. Vai dizer que não? Porque antes a gente não tem a pessoa e depois que tem, se acomoda. Ao ler, o melhor é se envolver na história, sem se preocupar com o final. Numa longa viagem, o mais interessante é poder admiriar a paisagem do trajeto. Na própria vida, independetemente de quando você chegou ao mundo ou quando partiu, se acordou de bom humor ou se foi dormir bem, o que vale é o que viveu entre estes dois momentos. E se soube vivê-los intensamente. Sendo assim, pra que tanta pressa? Se a beleza está no percurso?
Como diria Guimarães Rosa,
o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia.
Agora, vamos às regras do selo:
1- Copie e cole o selinho na sua postagem.
2- Conte-nos o que lhe faz feliz, entre partidas e chegadas, simples assim!
3- Conte quem lhe presenteou, se possível adicionando o link para o blog.
4- Indique ao menos 5 blogs para receberem o carinho e avise-os, para que eles possam continuar a brincadeira. Podem ser mais, claro, o importante é provocar a ideia naqueles que lhe visitam!
5- Volte aqui e avise se já está participando, nesse mesmo post.
Meus indicados:
Love in Chains
Fotos, Poesias e Emoções
Diário de um Mininu Nu
Entre um Café e um Bate-Papo
Garota Interrompida
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Flores e trovões
Era sempre assim: bastava ela sair de casa pra começar a chover. E naquela noite não foi diferente: já estava no meio do caminho quando a tempestade começou. Balbuciou alguma reclamação ou xingamento inaudível, abriu o guarda-chuva e continuou a andar, observada pelos motoristas parados ao farol. Sentiu inveja por terem um teto onde se abrigar. “Pelo menos não tenho trânsito no meu caminho! Rá!” – pensou, triunfante.
Mas logo foi atingida por uma rajada de vento que revirou todo o seu cabelo e molhou sua roupa, destruindo em segundos a produção que levara meia hora fazendo em casa. Por isso é que ela sempre se sentia feia, desarrumada e estabanada em dias de chuva! Era como um banho violento seguido de um secador enfurecido (o vento). Na chuva as pessoas perdem a vaidade. É inevitável.
E assim prosseguiu, se assustando com os raios, com pressa e sem um fio de cabelo no lugar. Mais pra frente viu uma mulher escorregar naqueles ralos de ferro da calçada e cair de costas no chão, soltando um “porraaa!” enfurecido que ecoou pela avenida movimentada, seguido do riso de algumas pessoas que se aproximavam para ajudar. Quanto caos! Quanta irritação! Quantos guarda-chuvas no caminho pra desviar!
Ah, como ela detestava chuva! Por mais que soubesse que era essencial ao planeta e coisa e tal, não podia deixar de se revoltar com os estragos que ela provocava: enchentes, deslizamentos, gripes, escorregões, quedas, programas legais com a turma desmarcados e por aí vai. Chegou à faculdade como um cachorro molhado. Não prestou atenção à aula, evitou o olhar do rapaz e deixou de tomar o sorvete de sempre. Tudo porque choveu.
Choveu, quando ela queria apenas a beleza e a cor da Primavera. Não era possível. Toda estação tem suas flores e trovões. E como era difícil lidar com a parte dos trovões.
(Imagem retirada do Google)
Mas logo foi atingida por uma rajada de vento que revirou todo o seu cabelo e molhou sua roupa, destruindo em segundos a produção que levara meia hora fazendo em casa. Por isso é que ela sempre se sentia feia, desarrumada e estabanada em dias de chuva! Era como um banho violento seguido de um secador enfurecido (o vento). Na chuva as pessoas perdem a vaidade. É inevitável.
E assim prosseguiu, se assustando com os raios, com pressa e sem um fio de cabelo no lugar. Mais pra frente viu uma mulher escorregar naqueles ralos de ferro da calçada e cair de costas no chão, soltando um “porraaa!” enfurecido que ecoou pela avenida movimentada, seguido do riso de algumas pessoas que se aproximavam para ajudar. Quanto caos! Quanta irritação! Quantos guarda-chuvas no caminho pra desviar!
Ah, como ela detestava chuva! Por mais que soubesse que era essencial ao planeta e coisa e tal, não podia deixar de se revoltar com os estragos que ela provocava: enchentes, deslizamentos, gripes, escorregões, quedas, programas legais com a turma desmarcados e por aí vai. Chegou à faculdade como um cachorro molhado. Não prestou atenção à aula, evitou o olhar do rapaz e deixou de tomar o sorvete de sempre. Tudo porque choveu.
Choveu, quando ela queria apenas a beleza e a cor da Primavera. Não era possível. Toda estação tem suas flores e trovões. E como era difícil lidar com a parte dos trovões.
(Imagem retirada do Google)
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Não se importam
Levei muito tempo pra perceber que eles simplesmente não se importam. Não se importam se fazem tudo errado, muito menos se não fazem nada. Não ligam se dão a palavra num dia e se esquecem dela no outro. Não faz diferença a eles se alguém se importa com sua ausência, com sua presença muda, com seu olhar perdido. Mentem, omitem, inventam.
E fogem pelas escadas, enquanto eu pego o elevador. Sem saber que vão dar de cara comigo novamente, dois andares abaixo, quando a porta abrir.
E fogem pelas escadas, enquanto eu pego o elevador. Sem saber que vão dar de cara comigo novamente, dois andares abaixo, quando a porta abrir.
Justificativas vãs, desculpas atrasadas. É tarde demais, o castelo de areia começa a ruir. A ilusão se desfaz. Suas interrogações constantes esbarram em meus pontos finais. E não há mais palavras. No lugar do sorriso, os lábios rachados com o tempo frio e chuvoso que eles provocaram ao se ausentar. Sem saber que, por trás da aparente indiferença, eu me importo. Por menos que eu queira, me importo.
(Imagem retirada do Google)
(Imagem retirada do Google)
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Vinte e poucos anos
Dia 12 desse mês fiz 24 anos e, coincidentemente, esse é o 24° post que escrevo em 2010. Dizem que os "vinte e poucos" são os melhores anos da vida. Eu concordo. Os meus, pelo menos, estão sendo muy bem aproveitados, vividos intensamente. Acredito que seja a época da vida em que mais aparecem oportunidades: de emprego, de conhecer gente, de crescer na vida e aprender coisas novas. Isso é ótimo! O problema é envelhecer. Eu sei, não estou velha, mas sei que já não sou mais uma adolescente. Dia desses me perguntaram a idade e, quando respondi, disseram: "ah, você é nova ainda!" - mas depois completaram: "quer dizer, não é mais tão nova assim né?" - é, não sou.
Confesso que fazer 24 me gerou uma pequena crise, primeiro porque lembrei que aqueles cremes anti-rugas da Avon e da Natura podem ser usados a partir dos 25 anos (mas já??). Depois porque, segundo minha mãe, após os 25 a vida voa. É estranho, mas quando eu era criança e me perguntavam com que idade iria casar, eu respondia, na maior inocência: "Com 23 ou 24 anos!!" - nossa, eu não fazia a mínima noção da vida! Hoje, com 24, nem penso em casar! Pelo menos não tão cedo. Um antigo colega de trabalho me dizia que eu não serviria pra levar uma vida de casada, porque minha rotina é corrida demais: trabalho + faculdade + cursos. E eu gosto disso, dessa vida que levo. Não pretendo parar de estudar tão cedo e já penso na segunda faculdade.
A vida hoje em dia é diferente e o tempo das pessoas também. Muita gente casa tarde porque quer aproveitar a vida e se dedicar à carreira. Todo mundo quer ter uma estabilidade financeira antes de formar família. Os 24 de hoje são os 18 de antigamente. A juventude dura mais.
E aqui estou eu com minha nova idade. As pessoas continuam dizendo que não aparento. Pelo visto elas conseguem ver a idade do meu espírito.
♪ Forever young, I want to be forever young ♫
domingo, 5 de setembro de 2010
Desapego
Nunca dei ouvidos àquela história de inferno astral, segundo a qual você tem azar pra dar e vender no mês que antecede seu aniversário. Mas passei a acreditar nisso o mês passado. Agosto foi, literalmente, um inferno! Passei por situações complicadas, tudo parecia dar errado e o universo conspirar contra. Dentre os perrengues que passei, um dos piores foi o dia em que coloquei um CD de música no computador, ele travou e não ligou mais. A solução foi formatar o coitado e, consequentemente, perdi TUDO o que tinha nele. Fotos, músicas, textos, vídeos... foi tudo pelo ralo.
Nem preciso dizer que fiquei super mal, chorei e tudo mais. Mas, passadas algumas semanas comecei a me questionar: por que sofrer tanto por aqueles arquivos de computador? Afinal, já perdi mesmo! Aí eu reparei que sempre sou assim, com tudo: sou aquela que vai ao cinema, ao show, ao teatro e guarda o ingresso de recordação. Aquela que tem uma caixa cheia de cartões de aniversários e cartinhas que sempre pega pra reler. Aquela que morre de dó de apagar as mensagens de celular quando a caixa fica cheia e que não deleta os recados do Orkut de jeito nenhum. E que precisa ter fotos de todos os momentos da vida pra recordar depois. Uma noite, voltando da faculdade, eu conversava com uma de minhas amigas sobre isso e falei a ela que eu devo ser uma pessoa muito materialista. Ao que ela respondeu: - Não Ká, isso é apego!
APEGO. A palavra-chave. E o problema. Eu me apego demais às coisas e às pessoas, e quando elas se vão de algum modo, sofro à proporção da carga de sentimento que depositei nelas. Como dizia Clarice Lispector, “quanto mais vivia, mais acumulava coisas inúteis das quais não poderia desfazer-se sem dor.” E a maioria dessas coisas inúteis, se for pensar, nem tem tanto valor quanto eu acreditava. O difícil é aceitar e entender que cada coisa tem o seu momento e depois passa. A vida é feita de achados e perdidos e eu, por dar esse nome ao meu blog, já deveria saber disso.
Lembro que quando eu fazia cursinho, meu professor de História contou um caso mui engraçado: numa viagem que fez à Alemanha, ele conseguiu comprar (não sei de quem) um pedaço do extinto Muro de Berlim e trouxe de recordação. Pouca coisa, um pedaço de granito ou coisa do tipo. E deixou em cima da mesa da sala, como enfeite. Certo dia, ele chegou em casa e cadê o pedaço do muro? Sumiu! Procurou como louco e não achou. Dias depois, conversando com a empregada doméstica sobre o assunto, ela comentou: - Nossa, o senhor tá se referindo àquele negócio que tava em cima da mesa? Eu achei que era uma pedra e joguei fora!
Essa é a questão. Não enxergar como Muro de Berlim o que é uma simples pedra. Porque na verdade, é só uma pedra mesmo! Muro de Berlim é o valor sentimental que se atribuiu a ela. E eu continuo enxergando como Muro de Berlim tantas pedras que passam por minha vida! Sentimentos que não servem mais e permanecem aqui dentro, roupas que nem deveriam mais estar no meu armário. O mais irônico é que, ao me desfazer dessas coisas, depois nem lembro que existiram. As correntes eram imaginárias.
Agora, se me dão licença, vou ali na farmácia comprar um vidrinho de desapego e já volto.
(imagem retirada do Google)
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Mais eu
Eu sempre tive um gosto muito forte pelo vermelho. Essa cor me passa uma energia muito boa. Não sei explicar, mas quando visto vermelho me sinto bem demais, mais viva e animada. Tanto, que senti necessidade de incorporá-lo na minha vida diária, ou melhor dizendo, no cabelo. Não foi tão rápido nem tão fácil, primeiro porque eu demorei um tempão até ter coragem de tingir o cabelo dessa cor e na época (em 2006) ficava o dia todo com uma blusa vermelha da minha mãe na cabeça, em frente ao espelho, pra me acostumar com a cor e ver se ficava estranho (ok, insanidade bateu forte nessa hora).
Depois que comuniquei às minhas amigas que eu tingiria o cabelo dessa cor, uma delas disse “ah não, vai ficar horrível!” e semanas depois lá estava ela com o cabelo vermelho. Sacanagem né? Mas isso não me desviou do meu objetivo e eu tingi o cabelo de vermelho. Que, a princípio, ficou meio roxo, porque como a cor natural dele é castanho escuro, o vermelho demorou (mais ou menos um ano) pra pegar. Quando pegou, pegou de vez. E eu criei uma identificação TÃO FORTE com meu cabelo vermelho, que passei a gostar muito mais dele assim do que na cor natural e nunca mais senti vontade de mudar. É como se eu tivesse nascido com a cor de cabelo errada e depois de vinte anos ter encontrado a certa. Nem quando eu fazia luzes e meu cabelo era loiro eu me sentia assim. É o vermelho mesmo. Me sinto bem demais com ele. Mesmo que todo mês eu tenha que ver minhas toalhas manchadas de vermelho e ouvir apelidos como Pica-Pau, Cabelo Água de Salsicha, Cabeça de Fósforo e Moranguinho, eu amo meu cabelo assim e me sinto bem com ele. Ou melhor dizendo, me sinto eu com ele.
Depois que comuniquei às minhas amigas que eu tingiria o cabelo dessa cor, uma delas disse “ah não, vai ficar horrível!” e semanas depois lá estava ela com o cabelo vermelho. Sacanagem né? Mas isso não me desviou do meu objetivo e eu tingi o cabelo de vermelho. Que, a princípio, ficou meio roxo, porque como a cor natural dele é castanho escuro, o vermelho demorou (mais ou menos um ano) pra pegar. Quando pegou, pegou de vez. E eu criei uma identificação TÃO FORTE com meu cabelo vermelho, que passei a gostar muito mais dele assim do que na cor natural e nunca mais senti vontade de mudar. É como se eu tivesse nascido com a cor de cabelo errada e depois de vinte anos ter encontrado a certa. Nem quando eu fazia luzes e meu cabelo era loiro eu me sentia assim. É o vermelho mesmo. Me sinto bem demais com ele. Mesmo que todo mês eu tenha que ver minhas toalhas manchadas de vermelho e ouvir apelidos como Pica-Pau, Cabelo Água de Salsicha, Cabeça de Fósforo e Moranguinho, eu amo meu cabelo assim e me sinto bem com ele. Ou melhor dizendo, me sinto eu com ele.
Há quase cinco anos tinjo o cabelo de vermelho e não consigo mais me ver com outra cor. Ela é artificial? Sim. Mas me faz sentir tão natural como se fizesse parte da minha essência. Várias pessoas já me disseram que eu fico melhor ruiva do que com o meu cabelo natural. Por outro lado, já fui questionada, houve gente que me disse que eu quero aparecer, ficar diferente, mas o fato é que tinjo o cabelo pra mim, não pros outros. Pode ser que daqui uns anos eu me enjoe da cor ou simplesmente ache brega e queira mudar. Mas, sinceramente, acho que ser ruiva (mesmo que de farmácia) já estava escrito no “script” da minha vida. Os oráculos já diziam que, em minha existência como Karina, uma hora eu iria querer tingir o cabelo de vermelho. Afinal, eu nasci morena, mas minha alma é ruiva.
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