sábado, 12 de junho de 2010

Em toda parte

Na parede levemente descascada, nos cacos de vidro pelo chão. No cabelo bagunçado do rapaz, no bordado da velha senhora, no rosto triangular do homem. Ali está a beleza, mesmo que ninguém repare. Não é a mesma para todos, mas questão de opinião. Não vê que a chuva da noite tem um charme? Que as calçadas das ruas têm desenhos e que o som da cidade parece música? Não! Não? É porque você enxerga a beleza em outra parte: no texto bem escrito, nos corpos perfeitos como esculturas, na estética e no padrão.

Não importa. Aqui ou lá, o belo está em toda parte, em cada detalhe, pessoa e objeto, só esperando ser reconhecido, só querendo ser captado pelos olhos, ouvidos ou sensações. Cada um vê beleza onde quer. Se não quer, feche os olhos e comprove que ela também está na escuridão.


(Imagem: "Lines of Beauty"de Chidi Okoye)

domingo, 30 de maio de 2010

Selo Mulheres Fabulosas



Ganhei este selo fofo da Ivana, do blog Fotos, Poesias e Emoções (recomendo que passem lá) e adorei! Agora, devo seguir as regras que o acompanham. São elas:

1- Dizer o que nos deixa triste e o que nos faz feliz

Triste: a cada dia ver que há menos pessoas em quem se possa confiar.

Feliz: alcançar objetivos depois de muita persistência.


2- Nomear dez mulheres fabulosas
(nomearei 8, ok?)

Grazi, do blog Into my Wild

Mariana, do blog Devaneando

Francine, do bog A Contadora

Ângela, do blog Entremeios

Manu, do blog Garota Bossa-nova

Clara, do blog Janelas para meu mundo

Suzana, do blog Palavreando Su

Érika, do blog Chá das Cinco

domingo, 9 de maio de 2010

O casarão

Todas as noites ela pegava ônibus no mesmo lugar. Enquanto esperava, a avenida movimentada e o trânsito caótico a distraíam. Do outro lado da rua, estava o casarão. Ela já havia reparado nele. A construção robusta fazia-se notar pela imponência que representava: ocupava um quarteirão todo. As paredes de tijolos expostos dividiam espaço com janelas grandes de vidros escuros, que impediam a visão do interior. Como se fosse um castelo medieval, o casarão possuía uma torre ao lado direito, e era lá que caíam intensos relâmpagos quando chovia. Talvez pela existência de algum para-raios no local. Ou então era a natureza querendo dar um ar ainda mais sinistro à construção.

O ruído do ônibus chegando interferiu em seus pensamentos e ela parou de pensar no casarão. Subiu no veículo e foi embora, deixando pra trás os devaneios.


No dia seguinte, após o serviço, esperava o ônibus no mesmo lugar. Olhando pro casarão do outro lado da rua, uma coisa chamou-lhe a atenção: havia luz na parte inferior. Era uma porta! Viu algumas pessoas entrarem e saírem dali. Movida pela curiosidade, não pensou duas vezes e foi até lá. O que haveria dentro daquele monumento tão misterioso?

Ao entrar pelas portas de vidro, foi atingida por uma onda de ar frio, proveniente do ar-condicionado. E qual não foi sua surpresa quando notou que havia gente, muita gente dentro do local! Viu uma escada rolante que dava num supermercado e também uma praça de alimentação onde famílias reunidas jantavam, conversando animadamente. Era um lugar acolhedor. Bancos estofados e muitas luzes deixavam o ambiente confortável. Ela logo foi absorvida por aquela atmosfera tão interessante e, nos dias que sucederam, passou a almoçar lá, ou então sentava na praça de alimentação apenas pra pensar e observar as pessoas. Ela não podia entender aquele contraste do interior do casarão, tão cheio de vida, com o seu exterior tão sombrio.

Foi então que compreendeu por que se atraiu tanto por aquele casarão: ele era como ela. Uma fortaleza de tijolos, aparentemente fechada e cheia de janelas escuras, mas por dentro tão cheia de amor e vida, que somente aqueles que invadissem seu interior poderiam conhecer de verdade. Sim, ela compreendeu enfim.

Passou a enxergar casarão como se ele fosse um espelho. E dessa vez, antes de subir no ônibus, olhou praquela antiga construção e achou que algumas partes precisavam ser reformadas.


(imagem retirada do Google)

sábado, 24 de abril de 2010

Padrão



Conheço uma rua

onde há um azulejo no chão.

No meio do nada,

sem ter razão.

Estará ele no lugar errado?

Claro que não.

Errada é a nossa incapacidade

de enxergar as coisas fora do padrão.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A revanche dos inanimados

Nunca deixe o computador perceber que você está com pressa. Ela irá travar, dar pau, desligar sozinho... tudo, menos funcionar. Se você xingá-lo então, piorou! Dar tapas no monitor, nem pensar! O mesmo vale pro celular. O meu, pelo menos, parece que “percebe” quando preciso fazer ligações urgentes, e a bateria acaba no mesmo instante. Ou então, quando estou em algum lugar silencioso e ele toca, fico fula da vida, e aí é que ele se esconde no canto mais obscuro da bolsa, sendo impossível encontrá-lo rapidamente para interromper o barulho. Parece pirraça. Como se os objetos “entendessem” o que a gente pensa sobre eles. E quer saber? Acho que eles entendem sim.

A essas alturas você, que está lendo, deve estar certo de que me faltam alguns parafusos. Talvez... mas sabe, às vezes fico pensando nessas coisas e creio que deve haver uma lógica nisso tudo. Como diz minha amiga Aline, “tudo no mundo é energia”. E eu acredito muito nisso. Que o nosso humor emite vibrações e influencia o ambiente ao redor, assim como às vezes somos influenciados pelo humor dos outros. E penso que essa vibração que emanamos também afete os objetos ao redor, das formas mais variadas. Claro que algumas pessoas exageram, e desconfio daquelas histórias de gente que entorta talheres e arremessa objetos com o poder da mente, o que chamam de psicocinética. Até hoje só vi isso em filmes como
“Matilda”. Mas acredito que os objetos absorvam nossas boas ou más vibrações sim. Tipo aquela história de que quando você fica secando a comida de alguém, ela cai no chão. Bem idiota, mas é mais ou menos por aí.

É curioso, nas diversas vezes que eu reclamei por ter gasto dinheiro com determinadas coisas, acabei perdendo essas coisas depois, ou pior, acabei perdendo dinheiro no mesmo dia. Como se isso acontecesse pra eu aprender a dar valor, sabe?


O caso mais recente que aconteceu comigo foi com o meu guarda-chuva amarelo. Comprei -o naquelas barraquinhas de rua e paguei super barato. Mas o barato sai caro: ele sempre abria ao avesso! O que, em dias de chuva, me fazia pagar micos homéricos! Certa vez eu saía do ônibus e, antes de descer, fui abrir o guarda-chuva pra enfrentar a tempestade lá fora. O que aconteceu? Ele abriu ao contrário! E havia muita gente atrás de mim, esperando pra descer do ônibus também. E todos esperaram eu virar o guarda-chuva do lado certo, o que demorou mais do que eu esperava. Saí dali roxa de vergonha, xingando mentalmente o guarda-chuva de tudo quanto é nome. E toda vez que isso acontecia, eu amaldiçoava o dito-cujo: “guarda chuva maldito! Não presta pra nada essa joça! Nem pra abrir direito!”

Pois bem. Dias depois eu fui ao shopping, e levava comigo meu querido desentupidor de pia (ou guarda-chuva, se preferir. É que como ele abria ao avesso, lembrava um desentupidor de pia). Quando estava voltando pra casa, chovia absurdos. Fui pagar o guarda-chuva e cadê ele? Não estava comigo! Eu havia perdido! Depois lembrei que o deixei em cima da pia do banheiro do shopping, quando fui lavar as mãos. E esqueci lá.


Senti uma falta imensa daquelas varetas que abriam ao avesso! E fiquei lamentando minha falta de atenção. Enquanto isso, o guarda-chuva devia estar dando graças aos céus por ter se livrado de mim e de meus xingamentos. Literalmente fugiu das minhas más vibrações. Ou atendeu minhas preces, já que depois pude comprar um novo.


Essa não é a única história de “objetos sensíveis” que ocorreu comigo. Já vivenciei outras situações estranhas no mesmo estilo. Como quando estou passando na rua e a luz do poste apaga, ou quando estou atrasada e as chaves sempre somem, ou, o dia mais trágico, quando no terceiro colegial esqueci o livro de matemática na escola em véspera de prova, dias depois de eu ter dito à minha mãe que odeio matemática com todas as forças.


Eu passaria dias contando essas histórias. Mas creio que a maioria das pessoas tem casos parecidos pra contar. Ou não. O assunto é polêmico e há quem acredite e quem ache uma tremenda bobagem. Quanto a mim, agora penso duas vezes antes de disparar cobras e lagartos pra cima dos meus objetos “desobedientes”. Vai que eles entendem! Hahaha!


E ah, se virem um guarda-chuva amarelo por aí me avisem, please!


(imagem retirada do Google)

domingo, 14 de março de 2010

Platônico

Peguei o dicionário pra procurar uma palavra e, sem querer, abri na página em que estava outra, logo no topo: PLATÔNICO. E justamente quando estava vivendo um amor desse tipo. Isso aconteceu de verdade e eu levei um susto. Parecia um sinal. Até o dicionário queria me mostrar que aquilo que eu sentia (há muito tempo) não podia ser real. No fundo eu já sabia. Só não queria acreditar.

Dizia Platão que, no mundo das idéias, estão todos os conceitos perfeitos. E, a partir do momento em que se concretizam no mundo real, perdem a perfeição. Daí vem a definição de "amor platônico", idealizado, que não pode acontecer. Mas vai explicar isso pro meu coração! Ele não quer saber quem é Platão, muito menos se a distância, o tempo e as circunstâncias impedem duas pessoas de ficarem juntas. Ele simplesmente quer. E quer agora. Sem saber que está jogando sozinho uma partida de squash, ao lançar a bola (no caso, o sentimento), e apenas vê-la bater na parede e voltar (às vezes bem na sua cara, provocando dor).

Semanas, meses e anos jogando sozinha, enxergando o imenso muro de Berlim que me separa dele, me sentindo como o mar, que reflete o céu sem poder tocá-lo.

Fechei o dicionário sem olhar o significado de platônico. Eu não havia escolhido abrir naquela página, da mesma forma que não escolhi gostar daqueles olhos frios que ainda invadem os meus sonhos. Que eu posso fazer se ele entrou pela porta sem avisar e perdeu a chave pra sair?


domingo, 28 de fevereiro de 2010

Selo


Ganhei esse selo da Ivana, do blog Fotos, Poesias e Emoções, que eu adooro! Passem lá, garanto que vão gostar!

Como todo selo, este tem suas regras. São elas:

1- Constar o link da pessoa que te deu o selo:

2- Indicar 15 blogs para o selo (vou indicar 6 tá?)

Perdoem-me a ausência, ultimamente ando sem tempo de postar e visitar os blogs que gosto.
 
Header Image by Colorpiano Illustration