domingo, 21 de fevereiro de 2010

Contando os sete

A Manu, do blog Garota Bossa-nova (que vale MUITO a pena visitar!) me indicou pra esse meme:



Com ele, devo dizer 7 coisas a meu respeito. So, let's go!

1 - Não vivo sem escrever, ouvir música e ler

2 - Antes de estudar Jornalismo, eu queria ser veterinária

3 - Amo sair, quase não paro em casa

4 - Sou louca por doces

5 - Já fiz uma cirurgia na coluna

6 - Há 4 anos tinjo o cabelo de vermelho

7 - Sou uma pessoa noturna, funciono melhor à noite

Indico pro meme os seguintes blogs:

Entremeios

Entre um café e um Bate-Papo

Fotos, Poesias e Emoções

A Contadora

Devaneando

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Mudanças

Todo ser vivo tem necessidades básicas como respirar, comer e dormir para se manter vivo. Eu, tenho uma a mais: mudar. Seja o corte de cabelo, opiniões, ou até mesmo renovar o guarda-roupa. Com certa freqüência, a rotina me cansa. Sinto necessidade de mudar de ares, fazer coisas diferentes, conhecer gente nova, lugares novos, mudar os objetos de lugar. Quem me conhece sabe que sou a inconstância em forma de gente: vivo mudando o corte e a cor do cabelo, o toque do celular e pequenas coisas do cotidiano. Isso às vezes chega a ser um defeito, principalmente quando a indecisão entra no meio.

Mas, na maioria das vezes, mudanças me fazem bem. Dão uma "reciclada" espiritual e me estimulam bastante. Esses dias, mudei o layout do blog. Enjoei daquele antigo, que parecia ter vida própria, já que vira e mexe as cores mudavam sozinhas, do nada surgiam bordas nas fotos, etc. Ou seja, tudo indicando que era hora de mudar mesmo. Acredito que tudo na vida da gente tenha um "prazo de validade", um período em que as coisas "funcionam bem" e dão certo. Depois, não servem mais. Não "cabem" mais no presente como cabiam no passado. Aí mudamos. De casa, de emprego, de país, de amores e temores.

Todos nós temos alguma coisa de vento ou de cata-vento. O vento produz as próprias mudanças, sopra tudo pra outro lugar. O cata-vento é estático, só se mexe quando impulsionado pelos ventos (ou mudanças) que a vida produz, sem ter controle sobre eles.

Estou em meio a fortes ventanias. Ou traduzindo, em um período de mudanças.

(Imagem retirada do Google)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Madrugada

O céu da madrugada é único. Tem uma cor peculiar, só dele. Um tom mais intenso, mais profundo, que te absorve só de olhar pra ele. Os morros, tão altos que seus limites e ondulações recortam o escuro do céu. Dessa forma, as estrelas parecem andar sobre o topo das montanhas. Isso tudo ela pensava no banco do passageiro, enquanto o carro rodava pela estrada. Passava das duas da madrugada e o casal estava cansado. Haviam assistido a um filme chato demais e ele dirigia sonolento. Ela, entretanto, prestava atenção ao céu da madrugada. Tão misterioso e obscuro! Como a envolvia, aquele céu! Emanava um silêncio místico, daqueles que só as altas horas da noite têm. O motor do automóvel quase nem fazia barulho, fazendo com que ela se sentisse flutuar sobre a estrada.

Uma luz branca e intensa invadia sua visão de vez em quando. Provinha de holofotes instalados no canteiro de obras ao longo do acostamento. Tudo aquilo parecia irreal. Como era possível fazer tanto silêncio numa estrada? Ela não percebia, mas o silêncio não era da estrada. Pairava dentro do carro e, sobretudo dentro de si. Ela não trocava palavras com o homem ao lado e nessas horas se perguntava o que fazia ali, com ele. As coisas já não eram as mesmas e há muito não havia mais sentimento. Ela não deveria estar com ele.


O céu noturno, os morros e as estrelas eram cúmplices desse erro. Que ela cometia pela terceira vez. Mas quem se importava com erros quando havia uma madrugada para se contemplar? E ela se sentia tão absorvida pelos contornos da noite que parecia estar em outra dimensão. Virou pro lado e perguntou ao homem: “quando você está na estrada assim, de madrugada, não tem a impressão de estar em outro mundo, outra dimensão?”. Ele a olhou como se fosse louca, riu e respondeu: “Não!”


Não. Ele não sabia enxergar. Mas ela via bem: não deveria estar com ele. Precisava abandonar aquela estrada.

(Imagem retirada do Google)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Rima em concreto

Sou dependente do transporte público no dia-a-dia. Ônibus e metrô fazem parte da minha rotina em São Paulo, afinal, moro na zona norte, trabalho na zona leste e estudo na zona sul. Graças ao metrô, consigo cruzar a cidade em pouco tempo, por isso o considero uma das melhores invenções das últimas décadas.

Por outro lado, quem usa esse transporte em São Paulo sabe A confusão que é, principalmente em horários de pico, nos quais você se sente um boi, ao ser arrastado pela multidão (que mais parece uma manada enfurecida).

Em meio a essa loucura toda, uma noite, voltando da faculdade, eu subia as escadas do metrô quando me deparei com alguns escritos em letra branca, numa parede. Era um poema! Aquilo quebrou minha rotina, achei interessante e resolvi ler. Mas, devido ao empurra-empurra e fluxo intenso de pessoas ao meu redor, era impossível parar e eu consegui ler apenas uma linha. Dizia assim: “Eu não sou eu nem sou o outro.”

Interessante. Decorei a frase e fiquei entretida com ela durante bom tempo. Pensava: “Caramba, se não sou eu e nem o outro, quem sou eu então?”. No dia seguinte, aguardei ansiosamente a volta pra casa pra saber quem era “eu”. Consegui ler mais uma linha: “Sou qualquer coisa de intermédio”. E assim fui, memorizando uma linha por dia, até completar o poema. Era do Mário de Sá Carneiro (não sei o título. Pesquisei e encontrei tanto como “Poema 7” como “O Outro”):

Ler um poema no metrô, durante a correria da rotina, me desligou do stress. Parei de pensar nos problemas, nos pepinos a resolver, no cansaço, pra tentar interpretar essas linhas tão enigmáticas. Quem seria o “outro” no poema? Além disso, passei a conhecer mais sobre Mário de Sá Carneiro e ainda descobri que esse poema foi transformado em música, pela Adriana Calcanhoto (caso tenham oportunidade, ouçam “O Outro”).

Em meu trajeto diário, os poemas continuam a me perseguir. Na estação em que desço pra ir ao trabalho, há outro deles. “O Morcego”, de Augusto dos Anjos:

Esse eu consegui ler com mais calma, já que está exposto em um lugar mais amplo. Depois de um tempo, descobri que estes poemas são parte do projeto "Poesia no Metrô" (iniciado em São Paulo em outubro de 2009), cujo objetivo é estimular o gosto pela leitura. Parabéns aos idealizadores do projeto. Graças a ele fui tirada do automatismo da rotina e levada a outros mundos que não este. Por istantes consegui um fugere urbem em meio ao caos.

Confesso que até pra tirar foto dos poemas foi difícil, devido aos pedidos de "Dá licença!" e pessoas por todos os lados querendo passar. Isso porque não repararam na parede ao lado. Se tivessem reparado, teriam também parado. E como precisamos dessa pausa, desse refúgio que só a literatura nos porporciona! Não só a literatura, mas a cultura em geral. Que precisa ser incentivada através de ações como esta.

O cotidiano é texto corrido, feito em prosa, mas precisamos dos pequenos momentos que são poesia. São eles que dão rima à nossa vida. Afinal, a melhor coisa é encontar Mário de Sá Carneiro, Augusto dos Anjos e outros grandes poetas enquanto anda pela cidade.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Caindo por terra

Durante séculos ela acompanhou a destruição de seus componentes: florestas foram derrubadas, ar e rios foram poluídos e inúmeras espécies de vida entraram em extinção. Em silêncio, ela observou o homem fabricar máquinas e tornar-se o detentor do poder, aniquilando tudo o que considerasse obstáculo para seu desenvolvimento. Ela tinha esperanças de que o ser humano, única espécie dotada de racionalidade, tomasse consciência do que estava fazendo e parasse com essa atitude predadora. Mas, pelo contrário, ele acelerou o ritmo de destruição sem prever as conseqüências, frustrando todas as expectativas dela.

Então, como fazer com que o ser humano percebesse o seu erro e evitasse o pior? Ela não encontrou outra forma, a não ser reagir. Terremotos devastadores, tsunamis catastróficos, temporais tenebrosos, deslizamentos de terra fatais, queimadas sem controle nas florestas, calor, calor, calor insuportável. Deu certo. O homem despertou de seu sono secular e só então compreendeu que a vida dela sempre esteve e continua em suas mãos. Mas, como se o alarme do despertador houvesse sido ignorado pela manhã, quando ele acordou já era tarde. Abriu os olhos e viu no termômetro que a temperatura estava maior do que o normal. Levantou-se da cama, ligou a TV no noticiário e descobriu que 150 espécies são extintas a cada dia, a camada de ozônio está em processo de destruição e não há meio de prever onde isso vai parar. Mensagem decifrada: ela está em fúria. E não há como fazê-la voltar ao que era antes. Mas ainda há um modo de tentar acalmá-la, antes que seja tarde. Ela, a natureza. Ela, a Terra.

Vingativa? Talvez. Mas a verdade é que o homem caiu em sua própria armadilha. Tornou o mundo um ambiente hostil para ele mesmo viver. Fez de tudo para aniquilar outras espécies e, regido pela lei da ação e reação, acabou por aniquilar a sua.

Não ouviu os conselhos. “Pare de desmatar!”, diziam uns. “Pare de matar!”, diziam outros. “Não polua tanto!”, reclamavam muitos. Entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Então, ele continuou vivendo, enquanto tudo ao seu redor ia morrendo. Até que um dia começou a sentir os efeitos na própria pele. Assustou-se muito e começou a correr. Mas demorou pra sair da linha de largada e suava demais por causa do Sol, que estava mais intenso do que o normal. Correu mais, e chegou a uma local onde estavam reunidos representantes de diversos países em uma conferência sobre o clima. Discutiram tudo, menos o que deveriam. E saíram de lá na mesma.

Agora, desesperado, o homem tenta reverter a situação, tendo consciência de que pode apenas amenizá-la. Arrependido, abaixa a cabeça e nota que há um buraco em seu sapato: finalmente descobriu que deu um tiro no próprio pé. E a Terra está quase caindo por terra.

"A natureza é a única coisa para a qual não há substituto." (Anne Frank)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Perigo exótico

Tenho uma queda por coisas exóticas. Tudo aquilo que é diferente e (na maioria das vezes) estranho me chama a atenção. Há pouco tempo, logo que voltei a trabalhar, fui em busca de um lugar legal (e barato) pra almoçar. Encontrei um restaurante bacana, perto do serviço. Logo que entrei no local, me chamou a atenção uma lousa na parede, na qual havia uma variedade imeeensa de sucos pra escolher! Uns sabores absurdos, que nunca tinha ouvido falar. Me empolguei.

Comecei a almoçar lá e a pedir todos aqueles sucos bizarros pra experimentar, cada dia era um diferente. O balconista me olhava estranho quando eu pedia: "Me vê um suco de umbu!" - e logo em seguida o cara perguntava se algum dos funcionários já havia tomado aquele suco. Ninguém. Com certeza devo ter sido a primeira louca a tomar aquilo, lá no restaurante. Como disse o balconista depois que pedi o suco, "vai por sua conta e risco". E até que gostei.

Continuei a pedir outros, mais exóticos ainda, outros nem tanto. Até que cheguei no de pitanga. Não muito exótico, pelo menos eu conhecia a fruta. Mas, logo que virei o primeiro gole, me arrependi de ter pedido aquilo. O gosto era horrííível, azedo ao extremo e eu fui pedir açúcar pro garçom. Levei o açucareiro comigo pra mesa e dá-lhe açúcar no suco! Desilusão, o gosto continuava péssimo e só piorou com o açúcar. Desisti de tomar. Larguei o suco na mesa e fui embora. No dia seguinte, a garçonete do restaurante me perguntou, ironicamente: “E aí, vai um suco de pitanga hoje?”. Virei motivo de piada.

A partir daí, sosseguei o facho e voltei a tomar sucos "normais". Abacaxi, limão, uva, essas coisas. Percebi que o exótico torna-se uma grande armadilha quando você não o conhece: te atrai pela aparência, por ser novidade e só depois mostra sua característica marcante (seja ela boa ou ruim). Quando ruim, você sai no prejuízo de alguma forma: gasta dinheiro à toa, se arrepende, passa vergonha... Porque o exótico não permite meio-termo: ou você gosta muito dele, ou odeia. Sem falar que é muito mais difícil de encontrar e há poucos exemplares disponíveis. Enfim.

Apesar do suco, continuo gostando de coisas exóticas. São imperfeitas, marcantes e agradam a poucos. Porém, é sempre bom lembrar que existem outras opções no cardápio.

(na foto: o intragável suco de pitanga)

domingo, 3 de janeiro de 2010

O vestido

Era noite de festa. O vestido que ela usava era azul-escuro como o início da noite, e muito mais profundo que o azul-claro dos olhos do homem que dançava despreocupado em outro canto do salão. Cheio de camadas e pesado. O vestido, não o homem. E chegava a ser um problema, porque ninguém, naquele salão, estava com um vestido daquele estilo. Ninguém. Todos usavam roupas mais leves e confortáveis, enquanto ela se sentia presa em sua armadura azul, da qual não podia sair. Chamava demais a atenção dos convidados, e todos a olhavam e perguntavam: “você vai dançar a valsa?” Sim, ela pensou. Mas não haveria valsa, e isso ela descobriu só depois que entrou no salão. Levou um choque. Todos dançavam outra música, o que aquele vestido imenso tornaria difícil. Talvez ela mesma não quisesse dançar a mesma música que os outros, cansou-se disso.

Então sentou para esperar o homem dos olhos azuis, que não veio. Apareceu outro, um desconhecido que sentou ao seu lado e a convidou para dançar um estilo de música diferente. Mas ela fingiu não ouvir. Estava preocupada demais em não se tornar o foco dos olhares, o que já havia acontecido. E tudo por estar usando aquele vestido azul. Aquele com os detalhes em prata, que ela escolheu cuidadosamente na loja pra dançar a valsa. Que valsa? A que ela havia dançado tantas vezes em seus sonhos, de certo. Mas aquilo que ela vivia agora era um pesadelo. Sentia-se deslocada, no lugar certo com o traje errado. E tudo o que queria era apenas que alguém dançasse a mesma música que ela.
 
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