sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Crono(i)lógico

Tava dando uma olhada aqui no blog e reparei que ultimamente tenho postado nos mesmos horários, mas com uma precisão incrível! E o mais bizarro: sem perceber. Os horários coincidem muito, inclusive os que são próximos às 2h. Não é á toa, já que eu funciono melhor à noite, mas achei isso engraçado, até parece que eu fico esperando dar certo horário pra clicar no “Publicar Postagem”. Ridículo.

Sei que não tem nada a ver, mas isso me lembrou aquela teoria tosca segundo a qual quando você olha no relógio e as horas e minutos coincidem (tipo 23:23, 10:10, 05:05), a pessoa que você gosta está pensando em você. Engraçado é que comigo é o contrário, toda vez que olho o relógio as horas estão inversas aos minutos, tipo 21:12, 04:40, 10:01. O que seria isso então? Eu pensando na pessoa e a pessoa nem aí pra mim? Quanta bobagem, meu Deus!

Não entendo como essas teorias idiotas impregnam no cérebro e não saem mais! Desde que tomei conhecimento dessa última (e isso foi há uns 3 anos), não consigo mais olhar prum relógio sem pensar tal bobagem! Por mais que você saiba que tudo não passa de uma grande invenção sem fundamento, sempre acaba lembrando dessas teorias. Sempre! Inclusive ao passar por baixo de uma escada, ou numa sexta-feira 13. Você pode não acreditar na superstição, mas você lembra dela. É inevitável. Inevitável ver que sua orelha esquerda tá vermelha e não pensar: Caramba, tem alguém falando mal de mim! – ou então, ao levantar da cama com o pé esquerdo: Putz, ferrou! O dia vai ser uma merda! – ou quando alguém fala algo negativo, sair correndo em direção da mesa da sala e bater na madeira.

Quando criança quebrei sem querer um espelho em pleno Ano Novo e não tive sete anos de azar. Apontei estrelas no céu e não fiquei com verruga no dedo. Pisei em diversos bueiros ao longo da vida e nada de má sorte! (acredite, já ouvi pessoas dizerem que pisar num bueiro dá azar!). E no dia 06/06/06 o mundo não acabou. Acordei pra trabalhar e voltei pra casa sã e salva. Caramba, comecei o post falando de um assunto e terminei com outro nada a ver! Eu e minhas digressões, como sempre! Não consigo evitar... sempre puxo assuntos que derivam de outros. Enfim. Pensando em tudo isso concluí que certas teorias estragam a humanidade. Deixam as pessoas mais bobas e mais suscetíveis a crenças idiotas. Inclusive eu. Só não sei como essas coisas passam a fazer parte da cultura (inútil) popular e são transmitidas durante gerações, sem que ao menos as pessoas se perguntem por quê.

Enquanto isso eu continuo a olhar pro relógio e pensar se Fulano tá pensando em mim. (Fulano tem nome e existe de verdade, só não quero que ele saiba que é o Fulano dos meus textos. Pelo menos por enquanto).

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Sementes Cadentes

Abri a gaveta da cômoda e lá estavam elas: as três sementes. O porquê de estarem lá é uma história engraçada. Era uma noite de sexta-feira, em 2006. Saí do trabalho e fui com minha amiga (que hoje é casada e mora em Belo Horizonte) pra Paulista. Passamos no Pão de Açúcar da Consolação, compramos algo pra beber e ficamos sentadas na calçada duma rua de condomínios, onde sempre ficávamos conversando e vendo o povo passar (típico de quem não tem o que fazer!). Daí távamos lá quando, de repente, surge um senhor vindo não se sabe de onde, tira um punhado de sementes do bolso e, com um sotaque meio espanhol, diz que as sementes estão à venda. Mas, segundo ele, não eram sementes comuns: davam sorte e realizavam desejos! - HAHAHA, muito engraçado! – pensei, incrédula.

O tal “sementeiro” disse então que poderíamos dar qualquer quantia em dinheiro por três sementes, sendo um desejo pra cada uma. E que, após serem feitos os desejos, as sementes deveriam ser guardadas ou jogadas num rio. Enquanto ele falava, vi nele certa familiaridade com aqueles personagens de filme que são magos, feiticeiros e coisas do tipo, talvez pelo fato do cara usar barba grande, ter o cabelo já grisalho e tals. Sem falar no ar sinistro que ele tinha. Enfim. Eu tenho certo apreço por excentricidades, achei bem interessante essa história toda e resolvi comprar sim. Dei dois reais pelas três sementes. Minha amiga também comprou.

Cheguei em casa, fiz os pedidos, e como só conheço o Rio Tietê aqui perto (o que seria uma verdadeira crueldade com as sementes), guardei-as uma caixinha dentro da gaveta mesmo. E lá elas ficaram, esquecidas, abandonadas, sem uma única sombra de lembrança, solitárias, pegando poeira, durante anos. Muita coisa aconteceu na minha vida nesse tempo todo, muita coisa mudou, até o dia em que eu abri a gaveta e me assustei ao deparar com três sementes cinzas, com formato de cebola (sim, parecem cebolas em miniatura) lá. “Que isso??” – pensei, horrorizada. Incrível como eu não lembrava! Mas logo me veio à memória o “semeador” e eu lembrei de tudo. Na verdade, o que mais me surpreendeu não foi ter encontrado as sementes lá. E sim, ter me dado conta de que os meus três desejos foram realizados!! INCRÍVEL! Realizaram-se com o decorrer dos anos, aos poucos, lentamente, mas eu nem lembrava mais que tinha pedido essas coisas pra meras sementes compradas na rua a preço de banana!

Hoje essa história me surpreende, muito. Principalmente porque o que eu pedi não eram coisas simples de se conseguir. Não sei o que há nessas sementes com função de estrela-cadente. Juro que tem dias em que eu penso em plantá-las pra ver no que dá, hahahaha! Talvez resulte em um simples legume ou fruto transgênico. Talvez numa árvore. Vai saber. É um tipo de semente diferente, nunca vi até então. Mas uma coisa eu te digo: se você estiver na rua e do nada surgir um cara velho, com sotaque espanhol, vendendo sementes, NÃO PENSE DUAS VEZES PRA COMPRAR! Eu recomendo.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Desencana!

Certas coisas na vida parecem ter uma determinada “lei” invisível por trás. Uma delas que venho aprendendo ultimamente é a “desencanar pra conseguir”. Já percebeu que as coisas só dão certo quando você não está se importando com elas? Seja um relacionamento, seja uma vaga de emprego ou até mesmo um problema aparentemente insolúvel: enquanto você busca desesperadamente por uma solução , corre atrás de algo (ou alguém) como louco, procura ansiosamente conseguir o que tanto quer, não dá certo. Mas basta desencanar e PLIM! Tudo se resolve, como num passe de mágicas! E, na maioria das vezes, de forma totalmente inesperada.

Parece até ironia, você alcança um objetivo quando nem se lembra mais que lutou tanto por ele; consegue algo com Fulano quando resolve desistir dele; consegue um emprego fabuloso quando não está mais desempregado. E por aí vai.
Isso tem acontecido muito comigo ultimamente. E aprendi que as coisas só vêm quando você não espera desesperadamente por elas. Quando não vive exclusivamente por elas. Quando você está bem consigo mesmo, despreocupado, não pensa em excesso e nem corre atrás com ansiedade. O melhor é deixar a vida correr e as coisas acontecerem naturalmente, no tempo em que elas têm que acontecer. É uma coisa tão simples e ao mesmo tempo tão difícil de perceber!

Clarice Lispector sabia das coisas quando escreveu: "Um meio de obter é não procurar, um meio de ter é o de não pedir." ( in A Hora da Estrela). Sim, ela sabia.

Basta desencanar. Desbitolar. Despreocupar.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Clariceanas

Tudo começou com um gosto em comum: Clarice Lispector. E quatro blogueiras: Eu, Francine, Sara e Luciane. Nos conhecemos há algumas semanas e depois de uma longa reunião via msn resovemos pôr a idéia de um blog todo Clariceano em prática. Resultado? http://haia-lispector.blogspot.com/. Um pouco de Clarice, um pouco de nós.
Pra quem gosta de Clarice, pra quem tem interesse em conhecer seus escritos e também pra quem não faz a mínima idéia de quem seja, é só acessar.

Isso prova que a internet pode ser grande aliada de afinidades. =)

"Eu não escrevo por querer não. Eu escrevo porque preciso. Senão o que fazer de mim?"
(Clarice Lispector in "Um sopro de vida")

domingo, 5 de julho de 2009

The book is on the table

Acabou. Depois de anos e anos fazendo inglês, estou formada! Lembro como se fosse hoje, do dia em que fui fazer a matrícula no CNA e ganhei uma vale-celular. Engraçado é que no mesmo dia fui trocar (pobre não pode ver promoção...) e fiquei completamente abismada quando descobri que o modelo de celular que ganhei era um dos mais antigos e zoados da loja! Pior até do que meu próprio celular, que na época já tava beem velho e acabado! E esse que ganhei era tão zoado, que desisti de levar e nem lembro o que fiz com o vale. Acho que se perdeu por aí e perdeu a validade. Bem típico daquelas promoções que a loja faz pra se livrar dos produtos mais antigos que não vendem e ficam anos mofando nas prateleiras, até aparecer uma boboca com um vale-celular ganho numa matrícula do inglês...

Pois é, eu estava matriculada no inglês. E a partir daí muitas águas rolaram! Sabe aquela história de “vai procurar sua turma!”? Foi mais ou menos assim comigo: mudei de turma diversas vezes, em diversos dias da semana e horários. Praticamente uma nômade! Até que finalmente encontrei meu lugar: o pessoal de sábado à tarde, das 14h às 16:30. Tá, eu sei que escolhi o pior dia e horário pra estudar! Como se já não bastasse ser de sábado, ainda eu perderia minhas tardes inteiras ali, trancada numa sala de aula e adeus sábado! Claro, foi dificílimo pra eu lidar com isso no começo, e talvez até por ser um tanto imatura na época, eu vivia cabulando essas aulas e indo pra tudo quanto é lugar longe dali. Mas com o tempo fui percebendo que valia muito a pena ir às aulas, inclusive por causa da turma: um pessoal super animado com quem me identifiquei demais! A professora, idem! Sabe aquelas pessoas que fazem você se sentir bem como se fossem amigos de longas datas? Bem por aí. Desde então minhas tardes não foram mais perdidas e eu enfim percebi que o que na verdade ganhei ao me matricular ali não foi um mero vale-celular, mas sim amizades importantíssimas, principalmente a Rayane, que é tão parecida comigo que poderíamos ser irmãs! (aliás, Ray, só a gente sabe o aperto que passou com aqueles vestidos no Cultural Day hein! Hahahaha!).

Hoje, dia 4 (tá, já passou da meia-noite, mas pra mim é dia 4 porque ainda não fui dormir) foi a última aula. Triste, meio que em clima de despedida. Terça que vem é a formatura e depois disso já não sei se a turma será tão unida. Mas uma coisa é certa: meus sábados já não serão mais os mesmos sem esse pessoal. Não mesmo.

sábado, 27 de junho de 2009

Óinc! Óinc!

É... a gripe suína chegou lá na Cásper!
Engraçado é que a gente vê na TV e não imagina o quanto o vírus pode estar perto...
Mas, porém, contudo, entretanto, todavia...tudo tem o seu lado bom: devido aos dois casos de gripe lá na facul, as férias foram antecipadas! Uhuuul! \o/ Melhor, impossível! =D
Há males que vêm para o bem né!

E caramba, Michael Jackson morreu DU NADA ontem! Como pode?
Estranho ver essas coisas, o cara é um ícone, c nunca vai esperar que ele morra, por mais humano que seja!
Fiquei sabendo da notícia por msn e achei que fosse brincadeira...

Enfim, só tenho a dizer que essa quinta (anteontem) foi muito bizarra, com essas notícias inesperadas. Eu hein!


Mais sobre a gripe na Cásper

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Coluna de Ferro

25 parafusos, duas hastes de titânio e uma cicatriz tamanho família: resultado de uma cirurgia pra corrigir uma escoliose que eu tinha deeesde os 14 anos. Para uma pessoa extremamente (e eleve isso ao cubo) medrosa como eu, operar era uma opção totalmente fora de cogitação. Mas com o tempo a gente vai aprendendo que certas coisas são necessárias, mesmo que a gente não queira, e que às vezes a coisa mais difícil e a certa são a mesma. Por isso decidi operar.

Em meio a muitos confetes e serpentinas (era carnaval, dia 20 de fevereiro), lá fui eu pro hospital. Certeza q foi o carnaval mais bizarro que já tive. Mas muy interessante, em matéria de aprendizado. No dia seguinte, depois de 8 horas de cirurgia, eu era uma nova pessoa com uma nova coluna. Acordei na UTI do Nove de Julho com zilhões de aparelhos conectados em mim, falando um monte de merda por causa do efeito da anestesia (acredite: eu pedi guaraná depois que acordei!) e vendo desfiles de escola de samba na tevê contra a minha vontade (o controle remoto estava em lugar inalcançável).

Quarto 1016. Da cama, eu podia ver pela janela diversos helicópteros pousando no topo dos prédios ao redor, passatempo muito divertido pra quem não pode se mexer muito. Remédios de hora em hora, visitas todo dia, rotina típica de hospital. Mas as noites eram difíceis ali, já que eu NUNCA conseguia dormir! Tanto pelo incômodo causado pelos novos “apetrechos” na minha coluna, como também devido aos milhões de pensamentos que iam e vinham à minha mente.

Era uma vida nova sim. Com muitas dores, às vezes insuportáveis a ponto de eu não conseguir ficar mais de 10 segundos em pé ou sentada. Mas com o tempo foi melhorado e eu descobri que a gente consegue suportar mais coisas do que imagina e é muito mais forte do que pensa. Aprendi muita coisa nos 12 dias em que fiquei internada. Passei a depender das pessoas (inclusive minha família, que estava sempre presente) pra TUDO, sendo que eu nunca gostei de depender dos outros pra nada. Aprendi a sentar e a andar de novo, e no dia em que fiz isso não tinha equilíbrio algum sobre meu corpo e mesmo assim achei maravilhoso! Passei a dar valor às coisas mais simples possíveis, às quais muitas vezes não damos a devida importância por fazê-las de modo tão natural e automático no dia-a-dia. E o mais importante: aprendi a ter paciência, coisa que nunca tive.

Enfim, foi como se eu tivesse renascido. Na quarta-feira, dia 4 de março, tive alta e saí do hospital mais alta (sim, eu cresci 6 centímetros depois da cirurgia, porque os médicos esticaram minha coluna de volta ao lugar). Como sentia muitas dores pra andar, voltei pra casa de ambulância (o que foi uma experiência única!), para a felicidade geral dos fofoqueiros do meu bairro que logo saíram às janelas para ver o que acontecia, hahahaha!


E assim virei uma “coluna de ferro”. Perdoem o texto gigantesco, mas a importância deste episódio pra mim é de igual tamanho, por isso eu tinha que relatá-lo aqui. Ganhei uma experiência de vida única e milhares de histórias de hospital pra contar. Além, claro, de uma nova vida.

Dois meses e meio de operada e muito feliz, voltando aos poucos à vida normal. Acho que isso basta. =)
 
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