
Partilham do mesmo destino, mas não do mesmo espaço físico. As nuvens, lá do firmamento, conseguem chegar às pessoas pela chuva, um meio natural. Já as pessoas precisam de meios artificiais para atingir as outras lá em cima: avião, pára-quedas, asa-delta. Essa busca recíproca talvez ocorra pelo fato de serem tão parecidas e estarem tão distantes. Uma espécie de amor platônico.
Até nos sentimentos há semelhanças: a raiva humana vem com estrondo e lágrimas, como as nuvens carregadas de tempestade. Depois que bradam em trovões e fazem cair água, seguem leves como algodão. Algumas, tão transparentes, que permitem a visão de seu interior. O da nuvem, vazio, porque é feito de gás. Mas não difere muito do vazio encontrado em muitas pessoas de carne e osso.
Ser aéreo também não é uma vantagem só das nuvens. Muitas pessoas o são estando em terra firme, mas com a mente em outro lugar. E umas se fundem tão intesamente com outras pessoas que perdem suas características originais, assim como nuvens deformadas após o contato com outras.
Tantas semelhanças em corpos diferentes. A humanidade gasosa paira lá em cima, enquanto nuvens humanas transitam aqui em baixo. Mas aquelas continuam em vantagem: sabem ficar pesadas quando devem, enquanto as outras ainda não aprenderam a se sentir leves quando precisam.
(Imagem retirada do Google)